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sexta-feira, 6 de junho de 2008

LITURGIA DO DIA - 06/06

Santo do dia

IX SEMANA DO TEMPO COMUM

1ª Sexta-feira do mês: Sagrado Coração de Jesus
Ofício do dia de semana e Missa à escolha ou
São Norberto Bispo, Memória Facultativa
Ofício e Missa da memória.
Hoje a Igreja celebra :
São Marcelino Champagnat, presbítero, fundador, 1840

São Marcelino Champagnat, nasceu a 20 de Maio de 1789 em Marlhes, próximo de Saint-Etienne (Loire) na França. Era o benjamim de 10 filhos. Do seu pai, João Baptista herdou os ideais da Revolução Francesa, aprendeu o amor ao trabalho e o espírito de iniciativa. A sua mãe, Maria, e a sua tia religiosa exclaustrada deram-lhe a piedade, a caridade cristã e a devoção mariana. Um sacerdote disse-lhe: “Meu filho, deves fazer-te padre; Deis o quer”. Convencido que esta era a sua vocação entrou no Seminário menor de Verrières e depois no Seminário Maior de Lião. Com alguns companheiros teve a ideia de fundar uma associação que se chamaria “Sociedade de Maria”. No projecto havia a ideia de Irmãos para educar os jovens. Pediu-se-lhe que levasse para a frente a intuição. Foi ordenado sacerdote no dia 22 de Julho de 1816 e foi nomeado pároco em La Valla-en-Gier, paróquia de 2.500 pessoas. A assistência a um jovem moribundo de 17 anos, o jovem Montagne, que ignorava as verdades essenciais do Cristianismo, serviu de arranque para o seu projecto. No dia 2 de Janeiro de 1817 fundou o Instituto ao acolher a dois jovens do campo de 15 e 23 anos. Quando os Irmãos dirigiam já quatro escolas em 1822, o Padre Champagnat foi alvo de uma campanha de difamação, vinda de seus colegas sacerdotes. Foram momentos muitos difíceis. Em 1824, dedicou-se completamente aos Irmãos. No ano seguinte construía a de Nossa Senhora do Eremitério. Não tinha recursos, mas tinha uma grande fé. Pouco depois caiu gravemente doente. Ao recuperar a saúde, continuou com o seu projecto. Em 1836, professou como sacerdote na Sociedade de Maria, quando foi reconhecida pela Santa Se. O seu lema foi: “Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus”. Nesse lema via Maria como o seu recurso Habitual.

2ª Carta a Timóteo 3,10-17

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo, 10tu me tens seguido fielmente no ensino, no procedimento, nos projetos, na fé, na paciência, no amor, na perseverança, 11nas perseguições e nos sofrimentos que suportei em Antioquia, Icônio e Listra. E que perseguições sofri! Mas de todas elas o Senhor me livrou.12Aliás, todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus serão perseguidos. 13Os homens maus e sedutores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. 14Permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade; tu sabes de quem o aprendeste. 15Desde a infância conheces as Sagradas Escrituras: elas têm o poder de te comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus. 16Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para argumentar, para corrigir e para educar na justiça, 17a fim de que o homem de Deus seja perfeito e qualificado para toda boa obra.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Livro de Salmos 119,157.160.161.165.166.168

- Os que amam vossa lei têm grande paz!
- Os que amam vossa lei têm grande paz!
- Tantos são os que me afligem e perseguem, mas eu nunca deixarei vossa Aliança! - Vossa palavra é fundada na verdade, os vossos justos julgamentos são eternos.
- Os que amam vossa lei têm grande paz!
- Os poderosos me perseguem sem motivo; meu coração, porém, só teme a vossa lei.
- Os que amam vossa lei têm grande paz!
- Os que amam vossa lei têm grande paz, e não há nada que os faça tropeçar.
- Os que amam vossa lei têm grande paz!
- Ó Senhor, de vós espero a salvação. pois eu cumpro sem cessar vossos preceitos.
- Os que amam vossa lei têm grande paz!
- Serei fiel à vossa lei, vossa Aliança; os meus caminhos estão todos ante vós.
- Os que amam vossa lei têm grande paz!

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos 12,35-37

Aclamação (Jo 14,23)
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Quem me ama, realmente, guardará minha palavra/ e meu Pai o amará e a ele nós viremos.
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho (Mc 12,35-37)
- O Senhor esteja convosco.
- Ele está no meio de nós.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
- Glória a vós, Senhor.

35Naquele tempo, Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Como é que os mestres da Lei dizem que o Messias é Filho de Davi? 36O próprio Davi, movido pelo Espírito Santo, falou: Disse o Senhor ao meu Senhor: senta-te à minha direita, até que eu ponha teus inimigos debaixo dos teus pés. 37Portanto, o próprio Davi chama o Messias de Senhor. Como é que ele pode então ser seu filho?" E uma grande multidão o escutava com prazer.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentários

O Messias, filho de senhor de David

Nesta perícope do Evangelho, Jesus toma iniciativa de interpelar os presentes, em vez de ser Ele a receber as perguntas dos fariseus, escribas e mestres da Lei. Hoje, é o próprio Divino Mestre quem desafia os presunçosos mestres judeus, no próprio Templo. Desafia-os não para rivalizar com eles, pois isso não é próprio de um Deus sublime, infinitamente superior às suas criaturas, mas para motivos pedagógicos muito altos, como adiante veremos.
Os mestres ensinavam que o futuro messias seria descendente de David. Tal crença popular baseava-se na profecia de Natã: David pensava construir um templo ao Senhor, e Este prometeu-lhe uma dinastia eterna: "A tua casa e o teu reino permanecerão para sempre diante de mim, e o teu trono estará firme para sempre" (2 Sm. 7,16). Este texto é o fundamento do messianismo davídico e também o título de "Filho de David" atribuído a Jesus.
Partindo aqui, Jesus põe uma questão acadêmica a que os especialistas da Escritura não sabem responder: "Como dizem os escribas que o Messias é o filho de David? O próprio David, movido pelo Espírito Santo, diz: ‘Disse o Senhor (Deus) ao meu senhor (o Messias): senta-te à minha direita e farei dos teus inimigos estrado dos teus pés (Sl. 110,1) Se o próprio David o chama Senhor, como pode ser seu filho?" No Oriente Médio era impensável que um pai chamasse "meu senhor" ao seu próprio filho. Ao citá-lo, Jesus admite a opinião comum dos rabinos do Seu tempo que o interpretavam em sentido messiânico.
A única resposta exata teria sido concluir que o Messias, embora descendendo de David pela sua origem humana, possuía também um caráter divino que o tornava superior a David. Essa foi a solução da fé cristã, baseada na ressurreição de Jesus. O messias não podia ser ao mesmo tempo filho e senhor de David se não fosse simultaneamente homem e Deus. Por isso o Salmo 110, de largo uso na liturgia, foi um dos preferidos do Novo Testamento e dos primeiros cristãos para demonstrar que o Messias, filho de David, era também o filho de Deus.
O ponto essencial do relato que nos ocupa é o descrédito dos mestres judeus. Cristo evidencia que são incapazes de resolver um problema escriturístico. Portanto, são incompetentes como guias religiosos e não podem ser juízes da identidade do Messias, dado que nem sequer sabem explicar um texto messiânico fundamental.
Jesus com esta pergunta queria, sobretudo, purificar a idéia excessivamente política que do Messias, filho do rei David, tinham forjado os chefes e incutido ao povo judeu do seu tempo, a partir do regresso do desterro babilônico (séc. VI a. C.), mitificando a figura do piedoso rei David e, com base na profecia de Natã, despertaram a esperança de um Messias que lhe sucederia no trono e restabeleceria o esplendor e poderio do Reino de David e do povo israelita. Este anseio se agudizou com a ocupação romana.
Jesus não rejeitou ser chamado "filho de David" pelos doentes que lhe suplicavam e pelo povo que o aclamava ao entrar messianicamente em Jerusalém, pois o era na verdade. Contudo, não foi esse o título que ele preferiu, devido à suas equívocas conotações ressonâncias políticas. Antes se autodenominou "Filho do homem", título messiânico que aparece na parte apocalíptica do profeta Daniel (7,13) e que estava mais próximo da imagem do paciente Servo do Senhor, segundo o Terceiro Isaías. Como "Filho do homem" o veremos nos repetidos anúncios que fez da sua paixão, morte e ressurreição.
Para a mentalidade dos seus discípulos, como a de qualquer judeu do seu tempo, era impensável um Messias sofredor que jogasse para perder. De antemão, o triunfo deveria ser Seu, e não apenas espiritual, mas também político e social.
Por isso, o Divino Mestre, com supina paciência, pedagogicamente, teve de prolongar até nas aparições pascais a explicação de tudo quanto no Antigo Testamento anunciou a respeito dele. Pouco a pouco, os apóstolos e a primitiva comunidade compreenderam que a partir do mistério pascal - morte e ressurreição de Jesus - adquiriam perspectiva, luz e sentido as profecias, o itinerário e as espera messiânica do povo da antiga aliança.
Um Messias que tinha de sofrer e morrer para entrar na sua glória era, sem dúvida, a menos triunfalista de todas as previsões. Foi necessária uma completa metanóia (transformação espiritual e de mentalidade) de seus discípulos.
Também, nós temos de sofrer uma profunda conversão no nosso modo de compreender e seguir a Jesus, o glorioso Filho de David que, apesar da sua condição divina, não fez alarde da sua categoria de Deus e trocou o trono e ceptro, o poder e a riqueza pelo serviço, a pobreza, o sofrimento, a humilhação e a morte, para nos alcançar de Deus Pai a remissão dos pecados e o poder eterno (cf. Fl 2,6 ss).
A verdadeira explicação do que é ser "Filho de David" e ao mesmo "Senhor dos senhores" é-nos maravilhosamente explicada pelo Papa S. Leão Magno, em um dos seus sermões (1.º Sermão da Natividade do Senhor). Vejamos a beleza dos contrastes:
Da casa real de David foi escolhida uma virgem para em seu seio carregar uma criança santa, filho simultaneamente divino e humano [...] O Verbo, a Palavra de Deus, que é o próprio Deus, o Filho de Deus que no «princípio estava em Deus, por Ele é que tudo começou a existir e sem Ele nada veio à existência» (Jo 1,1-3); esse Filho fez-se homem para libertar o homem da morte eterna. Ele desceu até à humildade da nossa condição sem que com isso a sua majestade tivesse sido diminuída. Mantendo-se o que era e assumindo o que não era, uniu uma verdadeira natureza de servo à natureza segundo a qual é igual ao Pai. Ele juntou tão estreitamente estas duas naturezas que nem a sua glória poderá aniquilar a natureza inferior, nem a união com esta aviltar a natureza superior.
O que é próprio de cada natureza mantém-se integralmente, e reúne-se numa única pessoa: a humildade é acolhida pela sua majestade, a fraqueza pela força, a mortalidade pela eternidade. Para pagar a dívida da nossa condição, a natureza intangível une-se à natureza capaz de sofrer; Deus verdadeiro e homem verdadeiro associam-se na unidade de um só Senhor Jesus. Assim, e porque tal Lhe era preciso para nos salvar, o único «mediador entre Deus e os homens» (1 Tm 2,5) poderia morrer pela acção dos homens, e ressuscitar pela acção de Deus [...]
Tal foi, meus bem-amados, o nascimento que conveio a Cristo, «poder e sabedoria de Deus» (1 Cor 1,24). Por esse nascimento, deu-se à humanidade, conservando a preeminência da sua divindade. Se não fosse Deus verdadeiro, não nos traria a salvação. Se não fosse homem verdadeiro, não nos daria o exemplo.

Fonte: Arautos do Evangelho

quinta-feira, 5 de junho de 2008

LITURGIA DO DIA - 05/06

Santo do dia

IX SEMANA DO TEMPO COMUM
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S. Bonifácio Bispo e Mártir (+754), Memória.
Ofício da memóriaMissa da memória:
Prefácio comum ou dos Mártires.
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São Bonifácio é chamado o Apóstolo da Alemanha. Nasceu no Wessex, no Kirton, na Inglaterra, por volta do ano 673. O seu nome de baptismo era Winfrid. Reunia em si a doçura e a firmeza, a timidez e a coragem, a inquietude e a paciência, o idealismo e o realismo. Fez-se monge no mosteiro de Exeter e aos 20 anos era mestre de ensino religioso e profano. A sua actividade missionária foi intensa. Em 719, partiu para a Alemanha a fim de pregar o Evangelho. Alcançou pleno êxito em sua missão apostólica, sendo então nomeado bispo de Mainz. Restaurou e organizou a Igreja na Alemanha. É o fundador da célebre abadia de Fulda, centro propulsor da espiritualidade e cultura religiosa alemã. Presidiu a vários concílios, promulgou numerosas leis e tinha em Mogúncia a sua sede episcopal. Sofreu o martírio no dia de Pentecostes. Encontrava-se em Dokkun, na Frísia, acompanhado de 50 monges, quando um grupo de frisões os assaltou. Morreu durante uma celebração, e seu corpo foi sepultado na abadia de Fulda. Era o dia 5 de Junho de 754.

2ª Carta a Timóteo 2,8-15

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:

Caríssimo, 8lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo meu evangelho. 9Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada.10Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. 11Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. 12Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. 13Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo. 14Lembra-lhes tais coisas e conjura-os por Deus a evitarem discussões vãs, que de nada servem a não ser para a perdição dos ouvintes. 15Empenha-te em apresentar-te diante de Deus como homem digno de aprovação, como operário que não tem de que se envergonhar, mas expõe corretamente a palavra da verdade.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Livro de Salmos 25(24),4-5.8-9.10.14
- Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!
- Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!
- Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos, e fazei-me conhecer a vossa estrada! Vossa verdade me oriente e me conduza, porque sois o Deus da minha salvação.
- Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!
- O Senhor é piedade e retidão, e reconduz ao bom caminho os pecadores. Ele dirige os humildes na justiça, e aos pobres ele ensina o seu caminho.
- Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!
- Verdade e amor são os caminhos do Senhor para quem guarda sua Aliança e seus preceitos. O Senhor se torna íntimo aos que o temem e lhes dá a conhecer sua Aliança.
- Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos 12,28-34

Aclamação (2Tm 1,10)
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Jesus Cristo Salvador destruiu o mal e a morte;/ fez brilhar pelo Evangelho/ a luz e a vida imperecíveis.
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho (Mc 12,28b-34)
- O Senhor esteja convosco.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 28bum mestre da Lei aproximou-se de Jesus e perguntou-lhe: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" 29Jesus respondeu: "O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 30Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! 31O segundo mandamento é: Amarás teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes". 32O mestre da Lei disse a Jesus: "Muito bem, Mestre! Na verdade, é como disseste: Ele é o único Deus e não existe outro além dele. 33Amá-lo de todo o coração, de toda a mente, e com toda a força, e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios". 34Jesus viu que tinha respondido com inteligência, e disse: "Tu não estás longe do Reino de Deus". E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus.

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Comentários

O Amor é a religião de Deus

A passagem evangélica que hoje tivemos a graça de ler, narra o diálogo entre um escriba da lei mosaica com Jesus. Aquele pergunta ao Mestre dos mestres qual é o primeiro de todos os Mandamentos. São Lucas conta que foi um doutor da lei o autor da pergunta embaraçosa e São Mateus refere que foi um legista o perguntador manhoso para experimentar Jesus. Talvez tenha sido um inocente útil, pois, pelo desenvolvimento da conversa, o tom foi sempre amistoso, sem animosidade ou polêmica e sem intenção capciosa, pois escriba louva a resposta de Jesus e o Salvador elogia-o, dizendo que não estava longe do Reino pelo fato de ter captado que o amor a Deus e ao irmão é o elemento principal constitutivo desse Reino. Na extensa selva de 613 preceitos em que os doutores da Torá explicavam e multiplicavam a lei de Moisés, o indagador queria saber qual seria o mais importante.
A novidade da resposta de Jesus não é o conteúdo, pois remete-se a passagens conhecidas do Deuteronômio e do Levítico, mas a união sem fissura nem dualismo que estabelece entre o primeiro mandamento: amor a Deus e o segundo: amor ao próximo. Interrogado sobre o primeiro, Cristo assinala também o segundo, que é "semelhante ao primeiro" (Mt. 22, 39). "Não há mandamento maior que estes", conclui Jesus, unindo ambos num só.
Por que são inseparáveis amor a Deus e amor ao irmão? É possível cumprir um mandamento sem o outro, amor a Deus sem amar os nossos semelhantes? S. João pôs-se as mesmas perguntas. E a sua resposta foi: "Nós amemos a Deus, porque ele nos amou primeiro. Mas, se alguém diz: "Amo a Deus" e odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amor a Deus, a quem não vê. E recebemos dele este mandamento: Quem ama a Deus, ame também o seu irmão" (1Jo. 4,19).
Jesus corroborou e melhorou este ensinamento, quando afirmou: Quando fizerdes a um destes meus irmãos mais pequenos, a mim o fazeis (Mt. 25,40). Na despedida aos seus, corrigiu e aprimorou a medida do Antigo Testamento do amor, trocando o "como a ti mesmo" pelo "como eu vos amei": Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. O sinal inequívoco pelo qual conhecerão que sois meus discípulos será que vos amais uns aos outros (Jo. 13, 34s). E qual foi a medida do amor de Cristo? Entregar sua vida por nós, pela remissão de nossos pecados.
Deus e o homem são objetos de amor que se distinguem conceptualmente, mas que intrinsecamente não podem separar-se, segundo Jesus. Sobretudo depois que o Homem-Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade veio à terra manifestar como homem e como Deus esse amor a cada um de seus irmãos.
A lei do amor coloca-se no horizonte da "boa nova", do Evangelho do amor que Deus nos tem a cada um de nós e aos outros que são irmãos nossos, porque ele é o Pai de todos.
O Novo Testamento está repleto de textos que assinalam o amor como a essência da religião que Jesus fundou. A primeira encíclica de nosso querido Papa, Bento XVI, "Deus Caritas est" expressa isso com profundidade teológica digna de nota. Contudo, os malquerentes da religião católica teimam em apresentá-la como negativa, porque diz não, por exemplo, ao divórcio, ao aborto, às relações sexuais livres etc. Entretanto, a realidade mais intrínseca, está a dizer sim ao amor fiel, maduro e pleno, sim à vida, sim à dignidade e vocação superior da pessoa. Enfim, está dizer sim a ordem do universo criada por Deus, portanto, feita à imagem do próprio Criador.
Como pode ser negativa uma religião fundada no amor e aberta a Deus, ao homem, ao mundo e à vida? Se a vida é o melhor que temos, uma religião como a cristã, cujo centro é Cristo, vida do homem, não pode deixar de ser uma religião humanista do sim à vida, religião dinâmica e atraente, positiva e otimista.
Nós devemos, pois, dar testemunho desta religião, com estas características, sobretudo perante um mundo cada vez mais afastado de Deus, de falta de verdadeiro amor ao próximo. O cristão devem ser um especialista em amar e ajudar os outros como Jesus.
Amor ao próximo, sem amor a Deus, é interesseiro, cujo objetivo principal é satisfazer seus lucros, impulsos, vantagens sociais ou materiais, enfim, é um amor falso. É o amor de um mundo ateu, cujos exemplos mais recentes de sistemas sociais e políticos nos dispensam de comentários, tão nefastos foram para a humanidade.
A experiência revela que o amor é a força de muitas pessoas simples que não deslumbram pelas suas qualidades, mas que irradiam vida à sua volta. É que um grama de amor cria mais vida que toneladas de fria inteligência. Por egoísmo e preguiça, por falta de ascese e de atenção interior, cada um de nós tem por explorar muitas possibilidade de amar, ao serviço da Santa Igreja. São talentos que ficam sem render.

Fonte: Arautos do Evangelho

quarta-feira, 4 de junho de 2008

LITURGIA DO DIA - 04/06

Santo do dia

IX SEMANA DO TEMPO COMUM
Ofício da memória.
Missa própria da memória:
Prefácio comum ou dos Mártires.
Hoje a Igreja celebra :
S. Pedro de Verona, presbítero, mártir, +1252
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São Pedro de Verona
Pedro nasceu em Verona no ano de 1205. Seus pais eram hereges maniqueus, adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani, Manes ou Maniqueu, caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam respectivamente o bem e o mal.Entretanto, o único colégio que havia no local era católico e lá o menino não só aprendeu as ciências da vida como os caminhos da alma. Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bologna para terminar os estudos. Ali acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele logo foi aceito, recebendo a missão de evangelizar. Foi o que fez, viajando por toda a Itália espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges.Primeiro inventaram uma calúnia contra ele. Achando que aquilo era uma prova de Deus, Pedro não tentou provar inocência. Aguardou que Jesus achasse a hora certa de revelar a verdade. Foi afastado da pregação por um bom tempo, até que a mentira se desfez sozinha, e ele foi chamado de volta e aclamado pela comunidade.Voltando às viagens evangelizadoras, seus inimigos o afrontaram de novo tentando provar que suas graças não passavam de um embuste. Um homem fingiu estar doente, e outro foi buscar Pedro. Este, percebendo logo o que se passava, rezou e pediu a Deus que se o homem estivesse mesmo doente ficasse curado. Mas, se a doença fosse falsa, então que ficasse doente de verdade. O maniqueu foi tomado por uma febre violentíssima, que só passou quando a armadilha foi confessada publicamente. Perdoado por Pedro, o homem se converteu na mesma hora.Pedro anunciou ainda não só o dia de sua morte, como as circunstâncias em que ela ocorreria. E, mesmo tendo esse conhecimento, não deixou de fazer a viagem que seria fatal.No dia 29 de abril de 1252, indo da cidade de Como para Milão, foi morto com uma machadada por um maniqueu que o emboscou. O nome do assassino era Carin que, mais tarde, confessou o crime e, cheio de remorso, se internou como penitente no convento dominicano de Forli.Imediatamente o seu culto se difundiu em meio a comoção e espanto dos fiéis, que passaram a visitar o seu túmulo onde as graças aconteciam em profusão. Apenas onze meses depois o Papa Inocente IV o canonizou, fixando a festa de São Pedro de Verona para o dia de sua morte.

2ª Carta a Timóteo 1,1-3.6-12

Início da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo:1Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor!3Dou graças a Deus - a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados -, quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas orações. 6Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não deu um espírito de timidez mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. 9Deus nos salvou e nos chamou com uma vocação santa, não devido às nossas obras, mas em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. 10Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho, 11do qual fui constituído anunciador, apóstolo e mestre. 12Esta é a causa pela qual estou sofrendo, mas não me envergonho, porque sei em quem pus a minha fé. E tenho a certeza de que ele é capaz de guardar aquilo que me foi confiado até o grande dia.

- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.

Livro de Salmos 123(122),1-2.2

- Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos.
- Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos.
- Eu levanto meus olhos para vós, que habitais nos altos céus. Como os olhos dos escravos estão fitos nas mãos do seu Senhor.
- Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos.
- Como os olhos das escravas estão fitos nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos, no Senhor, até de nós ter piedade.
- Ó Senhor, para vós eu levanto meus olhos.

Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos 12,18-27

Aclamação (Jo 11,25a.26)
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.
- Eu sou a ressurreição, eu sou a vida,/ quem crê em mim, ainda que morra, viverá.
- Aleluia, Aleluia, Aleluia.

Evangelho (Mc 12,18-27)
- O Senhor esteja convosco.
- Ele está no meio de nós.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Marcos.
- Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 18vieram ter com Jesus alguns saduceus, os quais afirmam que não existe ressurreição e lhe propuseram este caso: 19"Mestre, Moisés deu-nos esta prescrição: Se morrer o irmão de alguém, e deixar a esposa sem filhos, o irmão desse homem deve casar-se com a viúva, a fim de garantir a descendência de seu irmão".20Ora, havia sete irmãos: o mais velho casou-se, e morreu sem deixar descendência. 21O segundo casou-se com a viúva, e morreu sem deixar descendência. E a mesma coisa aconteceu com o terceiro. 22E nenhum dos sete deixou descendência. Por último, morreu também a mulher. 23Na ressurreição, quando eles ressuscitarem, de quem será ela mulher? Porque os sete se casaram com ela!24Jesus respondeu: "Acaso, vós não estais enganados, por não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus? 25Com efeito, quando os mortos ressuscitarem, os homens e as mulheres não se casarão, pois serão como os anjos do céu. 26Quanto ao fato da ressurreição dos mortos, não lestes, no livro de Moisés, na passagem da sarça ardente, como Deus lhe falou: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? 27Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos! Vós estais muito enganados".

- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.

Fonte: Arautos do Evangelho