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domingo, 14 de fevereiro de 2010

LITURGIA DO DIA - 14-02

Santo do dia

6º Domingo do Tempo Comum - Ano C

Domingo VI do tempo comum (semana II do saltério)

Sexto Domingo do Tempo Comum

A Palavra de Deus que nos é proposta neste Domingo leva-nos a reflectir sobre o protagonismo que Deus e as suas propostas têm na nossa existência.A primeira leitura põe frente a frente a auto-suficiência daqueles que prescindem de Deus e escolhem viver à margem das suas propostas, com a atitude dos que escolhem confiar em Deus e entregar-se nas suas mãos. O profeta Jeremias avisa que prescindir de Deus é percorrer um caminho de morte e renunciar à felicidade e à vida plenas.O Evangelho proclama "felizes" esses que constroem a sua vida à luz dos valores propostos por Deus e infelizes os que preferem o egoísmo, o orgulho e a auto-suficiência. Sugere que os preferidos de Deus são os que vivem na simplicidade, na humildade e na debilidade, mesmo que, à luz dos critérios do mundo, eles sejam desgraçados, marginais, incapazes de fazer ouvir a sua voz diante do trono dos poderosos que presidem aos destinos do mundo.A segunda leitura, falando da nossa ressurreição - consequência da ressurreição de Cristo -, sugere que a nossa vida não pode ser lida exclusivamente à luz dos critérios deste mundo: ela atinge o seu sentido pleno e total quando, pela ressurreição, desabrocharmos para o Homem Novo. Ora, isso só acontecerá se não nos conformarmos com a lógica deste mundo, mas apontarmos a nossa existência para Deus e para a vida plena que ele tem para nós.

LEITURAS

Carta de S. Tiago 1,12-18.
Feliz o homem que resiste à tentação, porque, depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que o amam. Ninguém diga, quando for tentado para o mal: «É Deus que me tenta.» Porque Deus não é tentado pelo mal, nem tenta ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e seduz. E a concupiscência, depois de ter concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, no qual não há mudanças nem períodos de sombra. Por sua livre decisão, nos gerou com a palavra da verdade, para sermos como que as primícias das suas criaturas.
Livro de Salmos 94(93),12-13.14-15.18-19.
Ó SENHOR, feliz o homem a quem tu corriges e instruis na tua lei!Esse terá descanso nos dias maus, enquanto se abre a cova para o ímpio.O SENHOR não abandona o seu povo nem despreza a sua herança.De novo há-de voltar a haver justiça, e hão de segui la todos os de coração recto.Quando digo: "Os meus pés vacilam", logo a tua bondade, SENHOR, me ampara.Quando se avolumam as angústias dentro em mim, as tuas consolações confortam a minha alma.
Evangelho segundo S. Marcos 8,14-21.
Os discípulos tinham-se esquecido de levar pães e só traziam um pão no barco. Jesus começou a avisá-los, dizendo: «Olhai: tomai cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.» E eles discorriam entre si: «Não temos pão.» Mas Ele, percebendo-o, disse: «Porque estais a discorrer que não tendes pão? Ainda não entendestes nem compreendestes? Tendes o vosso coração endurecido? Tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis? E não vos lembrais de quantos cestos cheios de pedaços recolhestes, quando parti os cinco pães para aqueles cinco mil?» Responderam: «Doze.» «E quando parti os sete pães para os quatro mil, quantos cestos cheios de bocados recolhestes?» Responderam: «Sete.» Disse-lhes então: «Ainda não compreendeis?»
Comentário ao Evangelho do dia feito por São Vicente de Lérins (? – antes de 450), monge Commonitorium, 23 (a partir da trad. bréviaire rev.)

«Ainda não entendestes nem compreendestes?»

Na Igreja de Cristo, não poderá haver nenhum progresso na doutrina? [...] Mas com certeza que é necessário que haja, e progresso considerável! Quem seria tão ciumento dos homens e inimigo de Deus que tentasse opor-se a ele? Mas com a condição de se tratar de um verdadeiro progresso da fé, e não de uma alteração. [...] É pois necessário que a inteligência, a ciência e a sabedoria cresçam e progridam fortemente em cada um e em todos, em cada homem e na Igreja inteira, ao longo dos anos e dos séculos; mas é preciso que progridam segundo a sua própria natureza, quer dizer, na mesma doutrina, no mesmo sentido, na mesma afirmação.Que a religião das almas imite portanto o desenvolvimento dos corpos: apesar de evoluírem e crescerem ao longo dos anos, permanecem o que eram. Há uma grande diferença entre o desabrochar da infância e os frutos da velhice, mas é a mesma pessoa que passa da infância à idade maior. É um só e mesmo o homem cuja estatura e maneiras se modificam, enquanto ele conserva a mesma natureza, enquanto ele permanece uma só e a mesma pessoa. Os membros dos bebés são pequenos, os dos jovens são grandes; são, contudo, os mesmos [...], que existiam já em potência no embrião. [...]Do mesmo modo, a fé cristã deve seguir estas leis do progresso para se fortificar com os anos, para que o tempo a desenvolva e a idade a enobreça. Os nossos pais semearam o trigo da fé para a colheita da Igreja. Seria injusto e chocante que nós, os seus descendentes, em vez do trigo da verdade autêntica, recolhêssemos o erro fraudulento do joio (Mt 13, 24ss.). Pelo contrário, é justo e lógico que não haja desacordo entre os primórdios e o fim e que recolhamos este trigo que se desenvolveu depois de o mesmo trigo ser semeado. Assim, enquanto uma parte das primeiras sementes deve evoluir com o tempo, será conveniente ainda agora fertilizá-las e aperfeiçoar a sua cultura.

Fonte: Evangelho Quotidiano