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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

LITURGIA DO DIA - 26/12





Sto. ESTÊVÃO, primeiro mártir (Festa)






LEITURAS



Livro dos Actos dos Apóstolos 6,8-10.7,54-59.



Naqueles dias, cheio de graça e força, Estêvão fazia extraordinários milagres e prodígios entre o povo. Ora, alguns membros da sinagoga, chamada dos libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e da Ásia, vieram para discutir com Estêvão; mas era-lhes impossível resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Ao ouvirem tais palavras, encheram-se intimamente de raiva e rangeram os dentes contra Estêvão. Mas este, cheio do Espírito Santo e de olhos fixos no Céu, viu a glória de Deus e Jesus de pé, à direita de Deus. «Olhai, disse ele, eu vejo o Céu aberto e o Filho do Homem de pé, à direita de Deus.» Eles, então, soltaram um grande grito e taparam os ouvidos; depois, à uma, atiraram-se a ele e, arrastando-o para fora da cidade, começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo. E, enquanto o apedrejavam, Estêvão orava, dizendo: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito.»



Livro de Salmos 31(30),3cd-4.6.8ab.16bc.17.


Sê para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.Tu és o meu rochedo e a minha fortaleza; por amor do teu nome, guia-me e conduz-me. Nas tuas mãos entrego o meu espírito; Senhor, Deus fiel, salva-me. Hei-de alegrar-me e regozijar-me com a tua misericórdia, porque conheceste a angústia da minha alma.Livrai-me das mãos dos meus inimigos e de quantos me perseguem.Brilhe sobre o teu servo a luz da tua face; salva-me pela tua misericórdia."



Evangelho segundo S. Mateus 10,17-22.



Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: «Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos. Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.



Comentário ao Evangelho do dia feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia e depois bispo em Constantinopla, doutor da Igreja Homília para a Sexta-feira Santa «A Cruz e o ladrão»


«Senhor, não lhes atribuas este pecado»


Imitemos Nosso Senhor e rezemos pelos nossos inimigos. [...] Ele estava crucificado e, ao mesmo tempo, rezava a Seu Pai em favor daqueles que O crucificavam. Mas como poderei eu imitar o Senhor, podemos perguntar-nos. Se quiseres, podes. Se não fosses capaz de o fazer, como poderia Ele ter dito: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração»? (Mt 11,29) [...]Se tens dificuldade em imitar o Senhor, imita pelo menos aquele que é também Seu servo, Seu diácono. Falo de Estêvão. Ele, com efeito, imitou o Senhor. Do mesmo modo que Cristo, no meio daqueles que O crucificavam, sem ter em conta a cruz, sem ter em conta a Sua própria situação, intercedia ao Pai em favor dos Seus carrascos (Lc 23,34), assim o Seu servo, rodeado por aqueles que o lapidavam, assediado por todos, submetido a uma chuva de pedras, sem ter em conta os sofrimentos que lhe causavam, dizia: «Senhor, não lhes atribuas este pecado» (Ac 7,60). Estás a ver como falava o Filho e como rezava o Seu servo? O primeiro diz: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem»; o segundo diz: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». De resto, para compreendermos melhor o ardor com que rezava, ele não rezava simplesmente de pé, sob os golpes das pedras: era de joelhos que falava, com convicção e compaixão. [...]Cristo diz: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem». Estêvão grita: «Senhor, não lhes atribuas este pecado». Paulo, por sua vez, diz: ofereço este sacrifício «pelo bem dos meus irmãos, os da minha raça, segundo a carne» (cf Rm 9,3). Moisés diz: «Perdoa-lhes este pecado, ou então apaga-me do livro que escreveste» (Ex 32,32). David disse: «Peço que descarregues a Tua mão sobre mim e sobre a minha família!» (2Sm 24,17). [...] Que perdão pensamos nós poder obter se fizermos o contrário daquilo que nos é pedido e rezarmos contra os nossos inimigos, quando o próprio Senhor e os Seus servos do Antigo e do Novo Testamento nos exortam a rezar em seu favor?

Fonte: Evangelho Quotidiano

domingo, 25 de dezembro de 2011

LITURGIA DO DIA - 25/12



NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, solenidade com Oitava. - Missa do Dia






A história do Natal começou na véspera do nascimento de Jesus, quando, segundo a Bíblia, os anjos anunciaram a chegada do menino.Oficialmente, faz agora 2010 anos. Nessa altura, o imperador Augusto determinou o registo de toda a população do Império Romano por causa dos impostos, tendo cada pessoa, para o efeito de inscrever na sua localidade.Segundo o Novo Testamento, José partiu de Nazaré para Belém, para esse efeito, e levou com ele a sua esposa, Maria, que esperava um Filho. Ao longo da viagem, chegou a hora de Maria dar à luz, e como a cidade estava com os albergues completamente cheios, tiveram de pernoitar numa gruta. Foi nessa região da Judeia, que Jesus nasceu.Diz a Bíblia que um Anjo desceu sobre os pastores que guardavam os seus rebanhos durante a noite e disse-lhes: «Deixai o que estais a fazer e vinde adorar o menino, que se encontra em Belém e é o vosso Redentor». Os pastores foram apressados, procurando o lugar indicado pelo Anjo, e lá encontraram Maria, José e o menino. Ao vê-lo, espalharam a boa nova.Os primeiros registos da celebração do Natal têm origem na Turquia, a 25 de Dezembro, em meados do sec II. No ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de Dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional.O período das festas alargou-se até à Epifania, ou seja vai desde 25 de Dezembro até 6 de Janeiro. O dia 6 de Janeiro é o chamado dia dos Reis Magos.A religião Cristã foi, depois, abraçando toda a Europa, dando a conhecer a outros povos a celebração do Natal. Em Inglaterra, o primeiro arcebispo de Cantuária foi responsável pela celebração do Natal. Na Alemanha, foi reconhecido em 813, através do sínodo de Mainz. Na Noruega, pelo rei Hakon em meados de 900. E em finais do séc. IX, o Natal já era celebrado em toda a Europa.Os Evangelhos de S.Lucas e S. Mateus relatam a história do nascimento de Jesus. Só que, ao contrário do que julgávamos, Jesus não teria nascido no Inverno e sim na Primavera ou no Verão - os pastores não guardariam os rebanhos nos montes com o rigor do Inverno...Em relação à data do nascimento de Jesus, existem algumas dúvidas. A estrela que guiou os Magos até à gruta de Belém deu lugar a várias explicações.Alguns cientistas afirmam que deverá ter sido um cometa. No entanto, nessa altura não há registo que algum cometa tivesse sido visto. Outros dizem que, no ano 6 ou 7 a. C., houve um alinhamento dos planetas Júpiter e Saturno mas também não é muito credível, para que se considere esse o ano do nascimento de Jesus. Por outro lado, a visita dos Reis Magos é comemorada 12 dias depois do Natal (Epifania) sendo tradicional festejar este acontecimento em pleno Inverno, a 6 de Janeiro.De qualquer forma, para além da certeza histórica de uma data, é o mistério do Nascimento de Jesus Cristo que os cristãos celebram. E esse é eterno!



Santo do dia : Natal do Senhor Jesus



LEITURAS


Livro de Isaías 52,7-10.



Que formosos são sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que apregoa a boa-nova, e que proclama a salvação! Que diz a Sião: «O rei é o teu Deus!» Ouve: as tuas sentinelas gritam, cantam em coro, porque vêem olhos nos olhos o regresso do SENHOR a Sião. Ruínas de Jerusalém, irrompei em cânticos de alegria, porque o SENHOR consola o seu povo, com a libertação de Jerusalém. O SENHOR mostra a força do seu braço poderoso aos olhos das nações, e todos os confins da terra verão o triunfo do nosso Deus.



Livro de Salmos 98(97),1.2-3ab.3cd-4.5-6.



Cantai ao Senhor um cântico novo, porque Ele fez maravilhas! A sua mão direita e o seu santo braço Lhe deram a vitória. O Senhor anunciou a sua vitória, revelou aos povos a sua justiça.Lembrou-Se do seu amor e da sua fidelidade em favor da casa de Israel. Todos os confins da terra presenciaram o triunfo libertador do nosso Deus. Aclamai o Senhor, terra inteira, exultai de alegria e cantai.Cantai hinos ao Senhor, ao som da harpa, ao som da harpa e da lira; ao som de cornetins e trombetas, aclamai o nosso rei e Senhor. Carta aos Hebreus 1,1-6. Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o mundo. Este Filho, que é resplendor da sua glória e imagem fiel da sua substância e que tudo sustenta com a sua palavra poderosa, depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade nas alturas, tão superior aos anjos quanto superior ao deles é o nome que recebeu em herança. Com efeito, a qual dos anjos disse Deus alguma vez: Tu és meu Filho, Eu hoje te gerei? E ainda: Eu serei para Ele um Pai e Ele será para mim um Filho? E de novo, quando introduz o Primogénito no mundo, diz: Adorem--no todos os anjos de Deus.



Evangelho segundo S. João 1,1-18.



No princípio era o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus. Por Ele é que tudo começou a existir; e sem Ele nada veio à existência. Nele é que estava a Vida de tudo o que veio a existir. E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a receberam. Apareceu um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este vinha como testemunha, para dar testemunho da Luz e todos crerem por meio dele. Ele não era a Luz, mas vinha para dar testemunho da Luz. O Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina. Ele estava no mundo e por Ele o mundo veio à existência, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram de laços de sangue, nem de um impulso da carne, nem da vontade de um homem, mas sim de Deus. E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco. E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. João deu testemunho dele ao clamar: «Este era aquele de quem eu disse: 'O que vem depois de mim passou-me à frente, porque existia antes de mim.'» Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graças sobre graças. É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo. A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer.

Comentário ao Evangelho do dia feito por Papa Bento XVI Homília de 25/12/05 (© Libreria Editrice Vaticana)


«Eu hoje Te gerei»


Em Jesus Cristo, o Filho de Deus, o próprio Deus Se fez homem. É a Ele que o Pai diz: «Tu és Meu Filho». O hoje eterno de Deus desceu ao hoje efémero do mundo e arrasta o nosso hoje passageiro para o hoje eterno de Deus. Deus é tão grande que Se pode fazer pequeno. Deus é tão poderoso que Se pode tornar fraco e vir ao nosso encontro como Menino indefeso, para que O possamos amar. Deus é bom ao ponto de renunciar ao Seu esplendor divino e descer ao estábulo para que O possamos encontrar e para que, assim, a Sua bondade chegue também a nós, se nos comunique e continue a agir por nosso intermédio. O Natal é isto: «Tu és Meu Filho, Eu hoje Te gerei». Deus tornou-Se um de nós, para que nós pudéssemos estar com Ele, tornar-nos semelhantes a Ele. Como próprio sinal, escolheu o Menino no presépio: Deus é assim. Deste modo, aprendemos a conhecê-Lo. E em todo o menino brilha algo da luz daquele hoje, da proximidade de Deus que devemos amar e à qual nos devemos submeter – em todo o menino, mesmo naquele que ainda não nasceu.

Fonte: Evangelho Quotidiano

sábado, 24 de dezembro de 2011

LITURGIA DO DIA 24/12/2011

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, solenidade com Oitava - Missa da Noite
Festa da Igreja : Vigília de Natal
Vigília de Natal
A liturgia desta noite fala-nos de um Deus que ama os homens; por isso, não os deixa perdidos e abandonados a percorrer caminhos de sofrimento e de morte, mas envia “um menino” para lhes apresentar uma proposta de vida e de liberdade. Esse menino será “a luz” para o povo que andava nas trevas.A primeira leitura anuncia a chegada de “um menino”, da descendência de David, dom de Deus ao seu Povo; esse “menino” eliminará a guerra, o ódio, o sofrimento e inaugurará uma era de alegria, de felicidade e de paz sem fim.O Evangelho apresenta a realização da promessa profética: Jesus, o “menino de Belém”, é o Deus que vem ao encontro dos homens para lhes oferecer – sobretudo aos pobres e marginalizados – a salvação. A proposta que Ele traz não será uma proposta que Deus quer impor pela força; mas será uma proposta que Deus oferece ao homem com ternura e amor.A segunda leitura lembra-nos as razões pelas quais devemos viver uma vida cristã autêntica e comprometida: porque Deus nos ama verdadeiramente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os valores deste mundo são passageiros; porque, comprometidos e identificados com Cristo, devemos realizar as obras d’Ele.
Santo do dia : Santa Irmina (ou Ermina), Santa Adélia, abadessa, +728, S. Charbel Makhlouf, monge, eremita, +1898
LEITURAS
Livro de Isaías 9,1-6.
O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles. Multiplicaste a alegria, aumentaste o júbilo; alegram-se diante de ti como os que se alegram no tempo da colheita, como se regozijam os que repartem os despojos. Pois Tu quebraste o seu jugo pesado, a vara que lhe feria o ombro e o bastão do seu capataz, como na jornada de Madian. Porque a bota que pisa o solo com arrogância e a capa empapada em sangue serão queimadas e serão pasto das chamas. Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros, e o seu nome é: Conselheiro-Admirável, Deus herói, Pai-Eterno, Príncipe da paz. Dilatará o seu domínio com uma paz sem limites, sobre o trono de David e sobre o seu reino. Ele o estabelecerá e o consolidará com o direito e com a justiça, desde agora e para sempre. Assim fará o amor ardente do SENHOR do universo.
Livro de Salmos 96(95),1-2a.2b-3.11-12.13.
Cantai ao Senhor um cântico novo, cantai ao Senhor, terra inteira!Cantai ao Senhor, bendizei o seu nome. Anunciai dia a dia a sua salvaçãopublicai entre as nações a sua glória em todos os povos, as suas maravilhas. Alegrem se os céus, exulte a terra! Ressoe o mar e tudo o que nele existe!Alegrem se os campos e todos os seus frutos, exultem de alegria todas as árvores dos bosquesNa presença do Senhor, que se aproxima e vem para governar a terra! Ele governará o mundo com justiça e os povos, com a sua fidelidade.
Carta a Tito 2,11-14.
Caríssimo: Com efeito, manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens, para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, a fim de vivermos no século presente com sobriedade, justiça e piedade, aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Ele entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar e constituir um povo de sua exclusiva posse e zeloso na prática do bem.
Evangelho segundo S. Lucas 2,1-14.
Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.» De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.»
Comentário ao Evangelho do dia feito por São Bernardo (1091-1153), monge cistercense e doutor da Igreja Primeiro sermão para a Vigília de Natal
«Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do Seu agrado»Céus, escutai!
Terra, ouve com atenção! Que todas as criaturas, e sobretudo o homem, sejam arrebatadas de admiração e irrompam em louvores: «Jesus Cristo, Filho de Deus, nasce em Belém da Judeia». [...] Haverá notícia mais bela a anunciar à terra? [...] Alguma vez se ouviu coisa parecida, alguma vez o mundo soube de alguma coisa semelhante? «Em Belém da Judeia nasce Jesus Cristo, o Filho de Deus.» Tão poucas palavras para exprimir a vinda do Verbo, a Palavra de Deus feita criança, mas que doçura nestas palavras! [...] «Jesus Cristo, o Filho de Deus, nasce em Belém.» Nascimento de uma santidade incomparável: honra do mundo inteiro, exaltação de todos os homens devido ao bem imenso que Ele lhes traz, admiração dos anjos por causa da profundidade deste mistério de uma novidade sem paralelo (cf Ef 3,10). [...]«Jesus Cristo, Filho de Deus, nasce em Belém da Judeia». Vós que estais deitados na poeira, erguei-vos e louvai Deus! Eis o Senhor que chega com a salvação, eis a vinda do Ungido do Senhor, do Seu Messias, ei-Lo que vem na Sua glória. [...] Feliz daquele que se sente atraído por Ele e que «acorre à fragrância dos Seus perfumes» (Ct 1,4 LXX): ele verá «a glória que lhe vem do Pai como Filho único» (Jo 1,14).Vós que estais perdidos, respirai! Jesus vem salvar o que perecera. Vós, os doentes, voltai a ser saudáveis: Cristo vem estender o bálsamo da Sua misericórdia sobre a chaga dos vossos corações. Estremecei de alegria, todos vós que sentis grandes desejos: o Filho de Deus vem a vós para fazer de vós co-herdeiros do Seu Reino (Rm 8,17). Sim, Senhor, peço-Te, cura-me e ficarei curado; salva-me e serei salvo (Jr 7,14); glorifica-me e ficarei verdadeiramente na glória. Sim, «que a minha alma bendiga o Senhor e que tudo em mim bendiga o Seu santo nome» (Sl 102,1). [...] O Filho de Deus faz-Se homem para fazer dos homens filhos de Deus.

Fonte: Evangelho Quotidiano

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

LITURGIA DO DIA - 23/12

Últimos dias feriais do Advento - 23 de Dezembro




LEITURAS


Livro de Malaquias 3,1-4.23-24.


Assim fala o Senhor: «Vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente. E imediatamente entrará no seu santuário o Senhor, que vós procurais, e o mensageiro da aliança, que vós desejais. Ei-lo que chega! –, diz o Senhor do universo. Quem suportará o dia da sua chegada? Quem poderá resistir, quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do fundidor e como a barrela das lavadeiras. Ele sentar-se-á como fundidor e purificador. Purificará os filhos de Levi e os refinará, como se refinam o ouro e a prata. E assim eles serão para o Senhor os que apresentam a oferta legítima. Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao Senhor como nos dias antigos, como nos anos de outrora. Eis que vou enviar-vos o profeta Elias, antes que chegue o Dia do Senhor, dia grande e terrível. Ele fará com que o coração dos pais se aproxime dos filhos, e o coração dos filhos se aproxime dos seus pais, para que Eu não tenha de vir castigar a terra com o anátema.»


Livro de Salmos 25(24),4bc-5ab.8-9.10.14.


Mostra-me, Senhor, os teus caminhos e ensina-me as tuas veredas. Dirige-me na tua verdade e ensina-me, porque Tu és o Deus meu salvador. O Senhor é bom e justo; ensina o caminho aos pecadores, guia os humildes na justiça e dá-lhes a conhecer o seu caminho. Todos os caminhos do Senhor são amor e fidelidade, para os que guardam a sua aliança e os seus preceitos. O Senhor comunica os seus segredos aos que o temem e dá-lhes a conhecer a sua aliança.


Evangelho segundo S. Lucas 1,57-66.


Naquele tempo, chegou a altura de Isabel ser mãe e deu à luz e um filho. Os seus vizinhos e parentes, sabendo que o Senhor manifestara nela a sua misericórdia, rejubilaram com ela. Ao oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome do pai, Zacarias. Mas, tomando a palavra, a mãe disse: «Não; há-de chamar se João.» Disseram-lhe: «Não há ninguém na tua família que tenha esse nome.» Então, por sinais, perguntaram ao pai como queria que ele se chamasse. Pedindo uma placa, o pai escreveu: «O seu nome é João.» E todos se admiraram. Imediatamente a sua boca abriu-se, a língua desprendeu-se-lhe e começou a falar, bendizendo a Deus. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos, e por toda a montanha da Judeia se divulgaram aqueles factos. Quantos os ouviam retinham-nos na memória e diziam para si próprios: «Quem virá a ser este menino?» Na verdade, a mão do Senhor estava com ele.


Comentário ao Evangelho do dia feito por São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo Sermão 57, sobre o nascimento de João Baptista, 1; PL 57, 647


«A tua mulher vai dar-te um filho. [...] Será para ti motivo de regozijo e júbilo, e muitos se regozijarão com o seu nascimento» (Lc 1,13-14)


Deus destinara João Baptista para proclamar a alegria dos homens e dos céus. Da sua boca, o mundo ouviu palavras admiráveis, que anunciavam a presença do nosso Redentor, o Cordeiro de Deus (Jo 1,29). Embora seus pais tivessem perdido toda a esperança de ter descendência, o anjo, mensageiro de tão grande mistério, enviou-o para servir de testemunha ao Senhor antes mesmo de nascer (Lc 1,41). [...]Ele encheu de alegria eterna o seio de sua mãe quando esta o carregava. [...] Com efeito, lemos no Evangelho estas palavras que Isabel dirige a Maria: «Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1,43-44). [...] Quando, na sua velhice, ela se afligia por não ter dado filhos ao marido, subitamente dá à luz um filho que era também o mensageiro da salvação eterna para todo o mundo. E um mensageiro que, antes de nascer, exerceu o privilégio da sua futura missão, difundindo o seu espírito profético através das palavras de sua mãe. Depois, pelo poder do nome que o anjo lhe dera antecipadamente, abriu a boca de seu pai, fechada pela incredulidade (Lc 1,13.20). Com efeito, quando Zacarias ficou mudo, não foi para assim permanecer, mas para recuperar divinamente o uso da palavra e confirmar por um sinal vindo do céu que seu filho era um profeta. Ora, o Evangelho diz de João: «Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz a fim de todos crerem por seu intermédio» (Jo 1,7-8). Ele não era de facto a luz, mas todo ele estava na luz, ele que mereceu dar testemunho da verdadeira luz.


Fonte: Evangelho Quotidiano

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

LITURGIA DO DIA - 22/12


Últimos dias feriais do Advento - 22 de Dezembro




Livro de 1º Samuel 1,24-28.


Ñaqueles dias, Ana tomou Samuel consigo e, levando também três novilhos, uma medida de farinha e um odre de vinho, conduziu-o ao templo do Senhor, em Silo. O menino era muito pequeno. Imolaram um novilho e apresentaram o menino a Eli. Ana disse-lhe: «Ouve, meu senhor, por tua vida: eu sou aquela mulher que esteve aqui a orar ao Senhor, na tua presença. Eis o menino por quem orei. O Senhor ouviu a minha súplica. Por isso, o ofereço ao Senhor, a fim de que só a Ele sirva todos os dias da sua vida.» E ele prostrou-se ali diante do Senhor.


Livro de 1º Samuel 2,1.4-5.6-7.8abcd.


«Exulta o meu coração no Senhor. no meu Deus se eleva a minha fronte. Abre-se a minha boca contra os inimigos, porque me alegro na vossa salvação. A arma dos fortes foi destruída e os fracos foram revestidos de força. Os que viviam na abundância andam em busca de pão e os que tinham fome foram saciados. Até a mulher estéril deu à luz muitos filhos e a mãe fecunda deixou de conceber. É o Senhor quem dá a morte e dá a vida, faz-nos descer ao túmulo e de novo nos levanta. É o Senhor que despoja e enriquece, É o Senhor quem humilha e exalta. Levanta do chão os que vivem prostrados, retira da miséria os indigentes; fá-los sentar entre os príncipes e destina-lhes um lugar de honra.


Evangelho segundo S. Lucas 1,46-56.


Naquele tempo, Maria disse: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que O temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia.como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.» Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.


Comentário ao Evangelho do dia feito por Homilia grega do século IV Incorrectamente atribuída a São Gregório de Neocesareia ou São Gregório Taumaturgo, no. 2; PG 10, 1156


«A promessa feita a nossos pais»


Maria disse então: «A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador. [...] Tomou a Seu cuidado Israel, Seu filho (Lc 1,54, grego), recordando a Sua misericórdia, conforme tinha dito a nossos pais, em favor de Abraão e sua descendência, para sempre». Vede como a Virgem ultrapassa a perfeição do patriarca e confirma a aliança que Deus estabeleceu com Abraão, quando diz: «Eis o pacto estabelecido entre Mim e vós» (Gn 17,11). [...] É o canto desta profecia que a Santa Mãe de Deus dirige a Deus quando Lhe diz: «A minha alma glorifica o Senhor [...], pois o Todo-Poderoso fez grandes coisas por mim, santo é o Seu nome. Ao tornar-me Mãe de Deus, Ele preservou a minha virgindade. No meu seio recapitula-se, para aí ser santificada, a plenitude de todas as gerações. Pois Ele abençoou todas as idades, homens, mulheres, jovens, crianças, idosos». [...]«Ele retirou os poderosos dos seus tronos e elevou os humildes». [...] Os humildes, os povos pagãos, que estavam esfomeados de justiça (Mt 5,6), foram exaltados. Ao tornarem visível a sua humildade e fome de Deus, e ao solicitarem a palavra de Deus como a cananeia pediu as migalhas (Mt 15,27), eles ficaram saciados com as riquezas que os mistérios divinos contêm. Pois Jesus Cristo nosso Deus distribuiu todo o lote de favores divinos aos pagãos. «Tomou a Seu cuidado Israel, Seu filho», não um Israel qualquer, mas o Seu filho, cujo elevado nascimento honra. Eis porque a Mãe de Deus chama a este povo Seu filho e Seu herdeiro. Ao ver este povo esgotado pela letra, extenuado pela Lei, Ele chama-o à Sua graça. Ao dar este nome a Israel, Ele ergue-o, «recordando a Sua misericórdia, conforme tinha dito a nossos pais, em favor de Abraão e sua descendência, para sempre». Estas palavras são um resumo de todo o mistério da nossa salvação. Querendo salvar a humanidade e selar a aliança estabelecida com os nossos pais, Jesus Cristo «inclinou os céus e desceu» (Sl 17,10). E assim Se manifesta a nós, colocando-Se ao nosso alcance para que O possamos ver, tocar e ouvir falar.


Fonte: Evangelho Quotidiano

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

LITURGIA DO DIA - 21/12

Últimos dias feriais do Advento - 21 de Dezembro




Livro de Cântico dos Cânticos 2,8-14.


Eis a voz de meu amado! Ei-lo que chega, correndo pelos montes, saltando sobre as colinas. O meu amado é semelhante a um gamo ou a um filhote de gazela. Ei-lo que espera, por detrás do nosso muro, olhando pelas janelas, espreitando pelas frinchas. Fala o meu amado e diz-me: Ele Levanta-te! Anda, vem daí,ó minha bela amada! Eis que o Inverno já passou, a chuva parou e foi-se embora; despontam as flores na terra, chegou o tempo das canções, e a voz da rola já se ouve na nossa terra; a figueira faz brotar os seus figos e as vinhas floridas exalam perfume. Levanta-te! Anda, vem daí, ó minha bela amada! Minha pomba, nas fendas do rochedo, no escondido dos penhascos, deixa-me ver o teu rosto, deixa-me ouvir a tua voz. Pois a tua voz é doce e o teu rosto, encantador.


Livro de Salmos 33(32),2-3.11-12.20-21.


Louvai o SENHOR com a cítara; cantai-lhe salmos com a harpa de dez cordas.Cantai lhe um cântico novo, tocai com arte por entre aclamações.Só o plano do Senhor permanece para sempre, e os desígnios do seu coração, por todas as idades.Feliz a nação cujo Deus é o Senhor, o povo que Ele escolheu para sua herança.A nossa alma espera no Senhor; Ele é o nosso amparo e o nosso escudo.Nele se alegra o nosso coração e em seu nome santo confiamos.


Evangelho segundo S. Lucas 1,39-45.


Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.»


Comentário ao Evangelho do dia feito por Liturgia bizantina Hino acatista à Mãe de Deus (séc. VII)


«O menino saltou de alegria no meu seio»



Com o Menino em seu seio, Maria dirigiu-se à pressa para casa de sua prima Isabel. Ao ouvir a saudação de Maria, logo o menino se regozijou, saltando de alegria como que para cantar à Mãe de Deus:

Alegra-te, tu que és botão da flor imortal

Alegra-te, tu que és pomar de onde brota o fruto de vida

Alegra-te, jardim do Senhor, amigo dos homens (Sb 1,6)

Alegra-te, gérmen do crescimento da vida

Alegra-te, tu que és campo onde se produz a abundância da redenção

Alegra-te, mesa santa da reconciliação para o pecado

Alegra-te, tu que nos cultivas um jardim de beleza

Alegra-te, tu que preparas, para a nossa alma, um refúgio de paz

Alegra-te, que és incenso de oferenda agradável a Deus (Gn 8,21)

Alegra-te, pois que em ti o universo inteiro encontra reconciliação

Alegra-te, tu que és graça de Deus para todos os homens

Alegra-te, advogada nossa junto do Senhor

Alegra-te, Esposa não desposada


Ficou o prudente José em extrema perturbação, com a alma sacudida por uma tempestade de pensamentos: ele, que era conhecedor da tua virgindade, agora duvidava de ti, ó mãe imaculada.

Mas, quando soube que O que tivera sido gerado em ti provinha do Espírito Santo (Mt 1,20), exclamou: «Aleluia, aleluia, aleluia».


Quando os pastores ouviram os anjos cantar a incarnação de Cristo, correram para junto do seu Bom Pastor, a contemplar o Cordeiro recém-nascido no colo de Maria. Exultaram, cantando:Alegra-te, mãe do Cordeiro e do Bom Pastor (Jo 1,29; 10,14)

Alegra-te, redil onde as ovelhas se reúnem (Jo 10,16)

Alegra-te, protecção contra os lobos que as arrebatam (v. 12) Alegra-te, pois tu abres as portas do paraíso

Alegra-te, pois os céus rejubilam com a terra (Lc 2,14)

Alegra-te, pois os homens exultam com os anjos

Alegra.te, pois tu dás segurança à palavra dos apóstolos

Alegra-te, pois tu dás força ao testemunho dos mártires

Alegra-te, coluna firme que nos seguras a fé

Alegra-te, pois tu conheces o esplendor da graça

Alegra-te, pois que por ti os infernos se esvaziaram

Alegra-te, pois, por ti, nos cobrimos de glória Alegra-te, Esposa não desposada. [...]


Quando contemplamos este singular nascimento, sentimo-nos estranhos no mundo habitual e o espírito volta-se para as realidades do alto, porque foi descendo aqui, humilhando-Se, que o Altíssimo Se revelou aos homens, para elevar todos os que Lhe cantam: «Aleluia, aleluia, aleluia».


Fonte: Evangelho Quotidiano