
XXII SEMANA DO TEMPO COMUM
Ofício do dia de semana e Missa à escolha ou(Branco) Nossa Senhora do Sábado, Memória Facultativa.Ofício e Missa da memória de Nossa Senhora.
Hoje a Igreja celebra : Santo Eleutério, abade, séc. VIS. Zacarias, profeta, séc. VI (a.C.)
Santo Eugénio, papa, mártir, +657
1ª Carta aos Coríntios 4,9-15
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:
Livro de Salmos 145(144),17-18.19-20.21
- O Senhor está perto de quem o invoca!
- O Senhor está perto de quem o invoca!
- O Senhor está perto de quem o invoca!
- O Senhor está perto de quem o invoca!

Aclamação (Jo 14,6)
Evangelho (Lc 6,1-5)
Comentários
«O Filho do Homem é senhor do sábado»
1. Sábado judeu. Lucas apresenta a redação mais curta dos três sinópticos a respeito do episódio evangélico de hoje, que reflete uma polêmica de Jesus com os fariseus sobre a observância do descanso sabático. Lucas escreve para cristãos convertidos do paganismo grego-romano. Nestes, tinham menos eco as questões estritamente judaicas, como a instituição sabática.
"Certo sábado atravessava Jesus um terreno semeado. Os seus discípulos arrancavam espigas e, debulhando-as com as mãos, comiam o grão". No lugar paralelo, Mateus indica a causa: "Porque tinham fome" (12, 1). Agindo assim, não infringiam nenhuma prescrição da lei mosaica, que permitia colher uvas ou espigas ao passar pelo campo de um vizinho, mas sim um das 39 proibições que a tradição rabínica aplicava ao descanso sabático. Daí que os fariseus lhes perguntem escandalizados: " Por que fazeis ao sábado o que não é permitido?".
Jesus, que ouviu, esclarece, recordando aos acusadores o exemplo de David e dos seus companheiros, que, também famintos e fugindo de Saúl, comeram os pães apresentados ao templo, os pães da proposição. Isto só os sacerdotes podiam fazer.
A este argumento histórico, que tem aplicação para qualquer lei, acrescenta Jesus a sua própria autoridade, vinculada à conduta dos seus discípulos: "O Filho do homem - título messiânico de Cristo - é o senhor do sábado". Aquele que veio aperfeiçoar a lei mosaica pode corrigir as precisões dos comentaristas da mesma lei e as tradições rabínicas sobre o descanso sabático, tal como fizera a respeito do jejum, como vimos no Evangelho de ontem.
Na sua origem, a lei do sábado foi uma lei humanitária e social, para todo o povo judeu, amos e assalariados, escravos e livres, celebrarem a libertação dos trabalhos da escravidão do Egito e o descanso do Criador ao sétimo dia. Mas os intérpretes da lei tinham-na convertido numa lei de tirania para o homem, que estava praticamente ao serviço da lei do sábado. Algo inadmissível, segundo Jesus, que na passagem paralela de Marcos afirma peremptoriamente: "O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado" (2,27). Sem dúvida, isto soou aos puritanos como uma blasfêmia, uma razão a mais para condenação capital que pronunciarão contra Jesus.
2. O domingo cristão. A passagem do sábado judeu para o domingo cristão não se fez de repente. Os primeiros cristãos, embora se reunissem para a "fração do pão", no princípio observavam o sábado. Pouco a pouco, foi-se relativizando a sua obrigação até ser substituído definitivamente pelo primeiro dia da semana, o domingo, em que o Senhor ressuscitou. Nesse dia reuniam-se para celebrar a sua ceia e a sua ressurreição. Assim o faz constar S. Justino mártir na sua Apologia (ano 150).
O domingo cristão não é, pois, uma mera transposição do sábado judeu. Mas, o perigo que nos ronda a nós cristãos, como aos fariseus do tempo de Jesus, é o legalismo que vê na santificação do dia do Senhor somente uma obrigação, e não uma necessidade vital de expressar e partilhar a fé em comunidade mediante o culto e o louvor a Deus. Porque também para o cristão o domingo ou fim-de-semana é um memorial da libertação definitiva, graças à ressurreição de Jesus Cristo nesse dia como vencedor do pecado e da morte.
A celebração cristã de fim-de-semana supõe uma libertação e uma oportunidade. Libertados da servidão do trabalho, podemos realizar-nos humana e cristãmente, convivendo com aqueles que amamos ou que necessitam de nós, fomentando a cultura e o ócio reparador e criativo e, sobretudo, dedicando parte do nosso tempo ao culto ao verdadeiro Deus. Infelizmente, muitos entendem o descanso dominical como um cheque em branco para o consumismo, o vício e a orgia. Mas, o homem não feito para o fim-de-semana, mas o fim-de-semana para o homem amar a Deus e aos seus irmãos.
Ser católico não se reduz a ser "uma pessoa que vai à missa aos domingos", e não dá atenção ao resto dos valores da vida. A fé cristã não sacraliza parcelas estanques e redutos de tempo, ante é feita para todo o tempo e lugar. Por isso, o sentido cristão do domingo não se esgota na celebração eucarística. Com centro nesta e conseqüência natural do culto a Deus, ele se desdobra na atenção à família, à comunidade cristã de que faz parte, à oração, à caridade e atenção aos doentes, pobres e abandonados, além de todo o resto da vida semanal com as suas canseiras.
* * *
Todos os dias da criação são grandes e admiráveis, mas nenhum pode comparar-se ao sétimo; nesse dia, não é a criação de um ou outro elemento natural que se propõe à nossa contemplação, é o repouso do próprio Deus e a perfeição de todas as criaturas. Lemos, com efeito: "Concluída, no sétimo dia, toda a obra que havia feito, Deus repousou, no sétimo dia, do trabalho por Ele realizado" (Gn 2, 2). Grande é este dia, insondável este repouso, magnífico este sabat! Ah, se pudesses compreender! Este dia não foi determinado pelo curso do sol visível, não começa quando este nasce, não termina quando este se põe; não tem manhã e tarde (cf. Gn 1, 5). [...]
Escutemos Aquele que nos convida ao repouso: "Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei" (Mt 11, 28): é a preparação para o sabat. E, sobre o sabat propriamente dito, diz-nos: "Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas" (29). Eis o repouso e a tranqüilidade, eis o verdadeiro sabat.
Porque este jugo não pesa, este jugo une; este fardo não tem peso, tem asas. Este jugo é a caridade; este fardo é o amor fraterno. Nele encontramos repouso, nele celebramos o sabat; nele somos libertados da escravidão. [...] E mesmo que a nossa enfermidade nos leve a cometer algum pecado, nem por isso o sabat será interrompido, porque "a caridade cobre a multidão dos pecados" (1Ped 4, 8