
VII SEMANA DO TEMPO DA PÁSCOA
Ofício do dia de semana do Tempo da Páscoa,
depois da Ascensão.Missa própria do sábado da VII Semana
com Prefácio da Ascensão
Hoje a Igreja celebra :
S. João de Ávila, presbítero, +1569
Beato Damião de Veuster, apóstolo dos leprosos, +1889
Santo Isidoro (Isidro), lavrador, +1170
Santo Antonino de Florença, Bispo e Confessor, +1459
Santo Ubaldo, bispo, +1160

Livro dos Actos dos Apóstolos 28,16-20.30-31
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
16Quando entramos em Roma, Paulo recebeu permissão para morar em casa particular, com um soldado que o vigiava. 17Três dias depois, Paulo convocou os líderes dos judeus. Quando estavam reunidos, falou-lhes: "Irmãos, eu não fiz nada contra o nosso povo, nem contra as tradições de nossos antepassados. No entanto, vim de Jerusalém como prisioneiro e assim fui entregue às mãos dos romanos. 18Interrogado por eles no tribunal e não havendo nada em mim que merecesse a morte, eles queriam me soltar. 19Mas os judeus se opuseram e eu fui obrigado a apelar para César, sem nenhuma intenção de acusar minha nação. 20É por isso que eu pedi para ver-vos e falar-vos, pois estou carregando estas algemas exatamente por causa da esperança de Israel". 30Paulo morou dois anos numa casa alugada. Ele recebia todos os que o procuravam, 31pregando o Reino de Deus. Com toda a coragem e sem obstáculos, ele ensinava as coisas que se referiam ao Senhor Jesus Cristo.
- Palavra do Senhor.
- Graças a Deus.
Livro de Salmos 11(10),4-5.7
- Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.
- Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.
- Deus está no templo santo, e no céu tem o seu trono; volta os olhos para o mundo, seu olhar penetra os homens.
- Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.
- Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.
- Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.
- Examina o justo e o ímpio, e detesta o que ama o mal. Porque justo é nosso Deus, o Senhor ama a justiça. Quem tem reto coração há de ver a sua face.
- Ó Senhor, quem tem reto coração há de ver a vossa face.

Aclamação (Jo 16,7.13)
- Aleluia, aleluia, aleluia.
- Aleluia, aleluia, aleluia.
- Eu hei de enviar-vos o Espírito da verdade;/ ele vos conduzirá a toda a verdade.
- Aleluia, aleluia, aleluia.
Evangelho (Jo 21,20-25)
- O Senhor esteja convosco.
- Ele está no meio de nós.
- Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo João.
- Glória a vós, Senhor.
Naquele tempo, 20Pedro virou-se e viu atrás de si aquele outro discípulo que Jesus amava, o mesmo que se reclinara sobre o peito de Jesus durante a ceia e lhe perguntara: "Senhor, quem é que te vai entregar?" 21Quando Pedro viu aquele discípulo, perguntou a Jesus: "Senhor, o que vai ser deste?"22Jesus respondeu: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa isso? Tu, segue-me!" 23Então, correu entre os discípulos a notícia de que aquele discípulo não morreria. Jesus não disse que ele não morreria, mas apenas: "Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa?"24Este é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e que as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. 25Jesus fez ainda muitas outras coisas, mas, se fossem escritas todas, penso que não caberiam no mundo os livros que deveriam ser escritos.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
Comentários
Herdeiros da fé apostólica
Hoje termina a leitura continuada que durante estas semanas do tempo pascal temos vindo a fazer do livro dos Atos dos Apóstolos, como primeira leitura; e do Evangelho segundo S. João como segunda.
Os Atos dos Apóstolos mostram-nos a apaixonante história dos primeiros passos da Igreja e o anúncio missionário dos apóstolos sob a direção do Espírito Santo desde o dia de Pentecostes, em cuja véspera estamos. Por sua vez, o Evangelho de S. João transmitiu-nos o testemunho do discípulo amado de Jesus sobre o mistério e a mensagem da palavra de Deus feita carne. "E sabemos que o seu testemunho é verdadeiro".
Tudo isto nos convida a refletir hoje sobre a tradição apostólica, isto é, sobre a herança dos apóstolos, testemunhas da ressurreição do Senhor e fundamento da fé que recebemos na comunidade eclesial.
Desde o princípio surgiu na Igreja a tradição apostólica da fé, que nos liga com a palavra de Cristo Jesus, em quem acreditamos, a quem amamos e em quem esperamos sem o ter conhecido pessoalmente.
Essa fé recebemo-la da comunidade cristã, transmitida fielmente de geração em geração desde há dois mil anos. Somos herdeiros da fé multissecular de gerações de crentes que souberam realizar no seu contexto histórico próprio o diálogo da fé com a vida, com a cultura e com o mundo do seu tempo.
A apostolicidade é uma das notas da verdadeira Igreja de Cristo, como dizemos na profissão de fé: "Creio na Igreja, que é uma, santa, católica e apostólica". O que significa o seu caráter de "apostólica"?
Sintetizando:
a) Que a Igreja afirma sua origem em Cristo mediante o testemunho e a pregação dos Apóstolos, testemunhas da sua ressurreição e fundamento da fé dos crentes;
b) Que por vontade expressa de Cristo, que é alicerce invisível e a pedra angular da Igreja, esta tem como fundamento visível da sua unidade e permanência a cadeira e sede apostólica de Pedro e o seu sucessor o Papa, Bispo de Roma e cabeça do colégio episcopal, como S. Pedro foi o primeiro entre os apóstolos;
c) Apostolicidade significa, finalmente, fidelidade da comunidade eclesial à fé transmitida pelos apóstolos e imitação do seu exemplo mediante o apostolado, isto é, pelo serviço perene à missão recebida de Jesus, que é a evangelização do mundo. Só assim a Igreja é apostólica em sua plenitude: porque crê, mantém e difunde a fé em Cristo, recebida do anúncio e testemunho apostólico.
O nosso Catecismo explica assim: "Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, é chamada de Tradição enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora intimamente ligada a ela". Através da Tradição, "a Igreja, em sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo o que ela é, tudo o que crê (DV, 8)". (CIC n.78) "A Tradição da qual aqui falamos é a que vem dos Apóstolos e transmite o que estes receberam do ensinamento e dos exemplos de Jesus e o que receberam através do Espírito Santo.Com efeito, a primeira geração de cristãos ainda não dispunha de um Novo Testamento escrito, e o próprio Novo Testamento atesta o processo da Tradição viva." (CIC n.83).
A Dei Verbum, ensina que: "Os ensinamentos dos Santos Padres [sec. I a VIII] testemunham a presença vivificante desta Tradição cujas riquezas se transfundem na praxe e na vida da Igreja crente e orante" (DV,8). Embora a Igreja tenha ciência de que "já não há que esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo" (DV,4), no entanto, o Catecismo nos assegura que "embora a Revelação esteja terminada, não está explicitada por completo; caberá à fé cristã captar gradualmente todo o seu alcance ao longo dos séculos" (CIC, 66). E isso o Espírito Santo continua a fazer na Igreja através dos teólogos e do Magistério oficial. Aos teólogos cabe aprofundar os conhecimentos do "mistério da fé", guiados pelos dogmas já revelados; mas somente ao Magistério cabe definir as verdades da fé.
A Tradição e a Bíblia estão intimamente ligadas. Tanto uma como a outra tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo, presente na Igreja até o fim do mundo (cf Mt 28,20). Ensina-nos a Dei Verbum que: "A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura estão, portanto, estreitamente conexas e interpenetradas. Ambas promanam da mesma fonte divina, formam de certo modo um só todo e tendem para o mesmo fim. Com efeito, a Sagrada Escritura é a fala de Deus, enquanto é redigida sob a moção do Espírito Santo; a Sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos apóstolos para que, sob a luz do Espírito e da verdade, eles por sua pregação fielmente a conservem, exponham e difundam. Resulta, assim, que não é através da Escritura apenas que a Igreja consegue sua certeza a respeito de tudo o que foi revelado.
Por isso, ambas "Escritura e Tradição" devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e reverência (DV,9), (CIC, 82). Muitas são as passagens do Novo Testamento que revelam a importância da Tradição oral. São Paulo diz a Timóteo: "O que ouvistes de mim em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar ainda a outros" (2 Tm 2,2). Note bem o "ouvistes" de mim. É a transmissão oral do depósito da fé. Vemos aí a própria Escritura atestando a existência da transmissão oral, de geração a geração. Este "depósito" oral chegou até nós pela palavra oficial da Igreja, e não pode ser desprezada. Jesus deixou claro a seus discípulos, na noite da despedida, que Ele não lhes tinha ensinado tudo, mas que o Espírito Santo o faria ao longo do tempo: "Muitas coisas tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Advogado, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade..." (Jo 16,12).
Todo esse ensinamento que o Espírito Santo foi acrescentando à Igreja é o que foi formando a sua Sagrada Tradição. Era tão marcante a inspiração do Espírito Santo que, por exemplo, após o Concílio de Jerusalém, os apóstolos escreveram à Igreja de Antioquia: "Com efeito, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós..." (At 15,28). Outras passagens mostram essa intimidade deles com o Espírito Santo. "Então Pedro, cheio do Espírito Santo..."(At 4,8). "Por que combinastes para por à prova o Espírito do Senhor ?" (At 5,9). Diante do Grande Conselho dos Judeus e do Sumo Sacerdote: "Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo...´(At 5,32). Podemos, portanto, afirmar, com toda certeza, que tudo o que está na Bíblia é verdade, mas nem toda a verdade está na Bíblia. Parte da Revelação foi oral e está na Tradição, que, por isso é Sagrada e indispensável.
Na segunda Carta aos tessalonicenses vemos claramente a Tradição oral: "Não vos lembrais de que vos dizia estas coisas, quando estava ainda convosco?"´ (2Tes 2,5). "Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa" (2Tes 2,15). "O que ouvistes de mim em presença de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de ensinar ainda a outros" (2 Tm 2,2). Essas passagens se referem a uma transmissão de verdades por meio oral e não escrito. Como, então, desprezar o seu valor? Nem tudo o que Jesus ensinou e fez, e nem tudo o que os apóstolos ensinaram, foi escrito. Naquele tempo era difícil escrever. Não havia papel e caneta fácil como hoje. Usavam-se pergaminhos (peles de carneiros), papiros etc., penas molhadas na tinta. Escrever era raridade. São João encerra o seu Evangelho mostrando claramente isto: "Jesus fez, diante dos seus discípulos, muitos outros sinais ainda, que não se acham escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhais a vida em seu nome"(Jo 20,30s).
